Mounjaro, Ozempic e lipedema: o que se sabe sobre as canetas e o que ainda falta saber

Por Dr. Diego TorricoMédico · CRM 75666 MG

Revisado em 13 min de leitura

Mulher sentada num sofá claro lendo no celular com expressão atenta, com uma caneca de chá ao lado.

Até hoje, nenhum estudo controlado mostrou que a tirzepatida ou a semaglutida tratam o lipedema. As canetas foram aprovadas para diabetes tipo 2 e controle de peso na obesidade; usá-las para tratar o lipedema é uso fora da bula. No lipedema, há só uma pesquisa on-line, uma série de cinco casos e um relato isolado [1, 2, 3, 4, 5].

Nas buscas, essas medicações aparecem pelos nomes comerciais (Mounjaro, Ozempic e Wegovy). Aqui você vai ler os nomes dos princípios ativos, como nas bulas e nos estudos. Se você ainda está entendendo o que é lipedema e por que ele não é obesidade, vale começar pelo texto principal do blog.

O que são a tirzepatida e a semaglutida?

São medicamentos que imitam hormônios do próprio organismo ligados à glicose e ao apetite. A semaglutida ativa o receptor do GLP-1; a tirzepatida ativa dois receptores, o do GLP-1 e o do GIP [6, 7]. Por isso a classe é chamada de agonistas do receptor de GLP-1. As bulas europeias descrevem esses receptores no pâncreas e em áreas do cérebro que regulam o apetite [6, 7], e nos estudos clínicos a semaglutida reduziu a ingestão de energia e aumentou a saciedade [7]. São injeções sob a pele, vendidas só com receita médica.

Para que essas canetas foram aprovadas no Brasil?

Para diabetes tipo 2 e para controle de peso. Na Anvisa, a tirzepatida foi registrada primeiro para o controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2 e, em junho de 2025, ganhou a indicação de controle crônico do peso em adultos com obesidade, ou com sobrepeso e doença relacionada ao peso, pelos critérios definidos em bula [1]. A semaglutida injetável é indicada no diabetes tipo 2, e desde janeiro de 2023 uma versão dela tem aprovação para controle de peso com critérios parecidos [2].

O lipedema não aparece nessas indicações. O padrão de cuidado dos Estados Unidos afirma que não existe medicamento conhecido que trate especificamente o lipedema [8], e uma revisão brasileira de 2026 registra que nenhum remédio foi aprovado oficialmente para ele [9]. Quando o lipedema vem junto com obesidade, é a obesidade que pode entrar nas indicações previstas, e só o médico que acompanha a paciente avalia esse tratamento. O lipedema sozinho não é indicação, e um efeito próprio sobre ele não foi demonstrado [10]. Usar a caneta para tratar o lipedema é uso fora da bula.

O que existe de estudo sobre essas canetas no lipedema?

Muito pouco, e nenhum ensaio clínico controlado. A tabela reúne o que encontramos publicado até setembro de 2026.

Publicação Desenho Quem participou O que foi relatado Principal limite
Pesquisa on-line, EUA, 2026 Questionário respondido uma vez, sem acompanhamento 2.719 respostas analisadas Quem usava relatou menos dor, inchaço e limitação Tudo autorrelatado; o peso não foi medido
Série de casos, Itália, 2025 Descrição de casos, sem grupo de comparação 5 mulheres com lipedema e resistência à insulina Menos dor e menor espessura da gordura no ultrassom Cinco pacientes; parte mudou dieta ou atividade ao mesmo tempo
Relato de caso em congresso, 2025 Um caso 1 mulher com lipedema Melhora da dor com tirzepatida Um caso só, sem comparação
Revisões, 2025 e 2026 Revisões da literatura, sem pacientes novas Nenhuma Hipóteses sobre inflamação e fibrose Dados extrapolados de obesidade, diabetes e laboratório

Fontes da tabela: [3, 4, 5, 11, 12]

A pesquisa on-line. Feita pela Lipedema Foundation, dos Estados Unidos, entre março e maio de 2025, com divulgação em redes de pacientes [3]. Das 2.719 respostas analisadas, 99,7% eram de mulheres; 77% disseram ter diagnóstico formal, e 67% informaram IMC na faixa da obesidade. Cerca de 55% usavam a medicação, mais comumente a tirzepatida, e o motivo principal era controlar o peso (67%); só 19% usavam principalmente pelos sintomas do lipedema [3]. As usuárias relataram menos dor, inchaço e limitação do que quem nunca usou [3].

Os próprios autores listam os limites: o desenho não prova que o remédio causou a melhora; as respostas dependem da memória e podem sofrer efeito placebo; o recrutamento pode ter atraído quem teve experiência mais positiva; a perda de peso não foi registrada, então parte da melhora pode vir só dela; e a sensação de perder gordura nas áreas com lipedema foi percepção, não medida [3]. Eles classificam o resultado como gerador de hipóteses [3].

A série de cinco casos. Médicos italianos descreveram cinco mulheres de 37 a 45 anos com lipedema e resistência à insulina, tratadas de três a seis meses com exenatida, um agonista de GLP-1 mais antigo, com ou sem mudança de dieta e de atividade física [4]. Houve redução dos sintomas, da dor e da espessura da gordura medida por ultrassom [4]. Os autores reconhecem o número pequeno, as diferenças entre as pacientes e a falta de grupo de comparação [4].

O relato de caso. Um resumo apresentado num congresso de endocrinologia em 2025 descreve uma mulher de 34 anos com lipedema que relatou melhora da dor com tirzepatida [5]. Um único caso levanta perguntas, mas não permite generalizar.

O que as revisões concluem. Uma revisão da literatura publicada até março de 2026 encontrou 13 publicações; só duas avaliaram essas medicações no lipedema, e só uma trazia dados de pacientes, a série italiana [11]. A conclusão: não há prova de efeito direto sobre a progressão do lipedema [11]. Em 19 de setembro de 2026, nenhum dos 77 estudos sobre lipedema cadastrados no ClinicalTrials.gov, registro público de estudos clínicos, testava semaglutida, tirzepatida ou outro agonista de GLP-1 [13].

O que as diretrizes de lipedema dizem sobre remédios e perda de peso?

A diretriz alemã S2k, de 2024, e o padrão de cuidado dos Estados Unidos, de 2021, não citam essas canetas, mas falam de remédios e de peso [8, 14].

Diretriz alemã S2k (2024). Afirma que o tratamento com remédios não é considerado útil no lipedema e que não há dados sistemáticos sobre ele [14]. Recomenda não usar diuréticos para tratar o lipedema e evitar remédios que favorecem ganho de peso ou inchaço [14]. Pede, com consenso forte, que a paciente com sobrepeso ou obesidade junto saiba que o volume das pernas pode diminuir com a perda de peso, e que o tratamento da obesidade faça parte do plano, com base em alimentação, atividade física e, quando for o caso, apoio comportamental [14].

Padrão de cuidado dos EUA (2021). Afirma que não há medicamento conhecido que trate especificamente o lipedema e que os remédios para complicações metabólicas da obesidade seguem as diretrizes usuais [8]. Recomenda evitar medicações que fazem ganhar peso e, quando possível, trocá-las por outras neutras para o peso ou que favoreçam a perda de peso [8].

Por que essas canetas poderiam ajudar quem tem lipedema?

Há três hipóteses, nenhuma confirmada em estudo controlado no lipedema.

  1. Tratar a obesidade que acompanha o lipedema. Grande parte das pacientes tem sobrepeso ou obesidade, e a diretriz alemã registra que o ganho de peso aumenta o volume dos membros [14]. Uma revisão alemã de 2026 resume o limite: há benefício sobre peso e metabolismo, mas um efeito próprio sobre o lipedema não foi provado [10].
  2. Agir na inflamação e na fibrose. Revisões citam efeitos anti-inflamatórios da classe e dados de laboratório e de outras doenças que sugerem ação da tirzepatida em vias de inflamação e fibrose parecidas com as do lipedema [11, 12]. A revisão da Unifesp que defende essa hipótese é explícita: faltam ensaios randomizados, e extrapolar cedo demais pede cautela [12].
  3. Melhorar a resistência à insulina. A série italiana escolheu mulheres com lipedema e resistência à insulina, e os autores consideram a classe especialmente interessante para esse grupo [4].

Por que a gordura do lipedema pode não responder do mesmo jeito?

Porque o tecido do lipedema se comporta de outro modo. O padrão de cuidado dos EUA afirma que ele resiste à redução por dieta, exercício e cirurgia bariátrica, em parte pela fibrose, e que, quando há perda de peso, o tronco costuma perder mais do que as pernas, o que acentua a desproporção [8]. A revisão alemã de 2026 lembra que, mesmo com o controle do peso, a dor e a desproporção próprias do lipedema podem continuar [10].

A diretriz alemã lê de outro jeito: havendo obesidade junto, o volume das pernas pode diminuir com a perda de peso [14]. As leituras convivem porque o volume da perna reúne o tecido do lipedema e a gordura da obesidade, e nenhum estudo controlado com essas canetas mostrou o que acontece com cada parte [3, 11]. O texto sobre por que a gordura do lipedema não sai com dieta e exercício aprofunda esse ponto.

Onde os especialistas discordam?

Na leitura das mesmas poucas evidências.

  • Leitura mais otimista. Uma revisão brasileira de 2026, escrita para dermatologistas, descreve o uso fora da bula de medicações para obesidade no lipedema, cita relatos de caso e dados observacionais favoráveis e defende considerar esse uso em situações selecionadas, como obesidade associada, reconhecendo que ainda faltam ensaios randomizados [9].
  • Leitura intermediária. A revisão da literatura de 2026 conclui que não há prova de efeito direto sobre a progressão do lipedema, mas que essas medicações podem ajudar como complemento, pelo efeito sobre peso e metabolismo [11].
  • Leitura mais cautelosa. A revisão alemã de 2026 trata essas medicações pelas regras da obesidade: o lipedema sozinho não é indicação, o efeito específico não está provado e a evidência para desfechos do lipedema é muito baixa ou inexistente [10]. A diretriz alemã de 2024 não considera útil o tratamento do lipedema com remédios [14].

Quais efeitos adversos e cuidados estão documentados?

As bulas europeias, baseadas em estudos com milhares de pessoas com diabetes ou obesidade, registram [6, 7]:

  • Efeitos gastrointestinais, os mais frequentes: náusea, vômito, diarreia, prisão de ventre e dor abdominal, mais comuns no período de aumento gradual da dose. Podem causar desidratação e, em alguns casos, piora da função dos rins [6, 7].
  • Pancreatite aguda, com orientação de suspender a medicação se houver suspeita [6, 7].
  • Doenças da vesícula, como cálculos, um pouco mais frequentes com a medicação do que com placebo nos estudos de controle de peso [6, 7].
  • Hipoglicemia, com risco maior quando a caneta é usada junto com insulina ou sulfonilureia [6, 7].
  • Aspiração pulmonar em anestesia geral ou sedação profunda, porque o estômago esvazia mais devagar; as bulas pedem que esse risco seja considerado antes desses procedimentos [6, 7]. Quem avalia uma cirurgia de lipedema precisa contar à equipe que usa a medicação.
  • Neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, uma lesão do nervo óptico, associada à semaglutida em estudos epidemiológicos: cerca de um caso a mais para cada 10 mil pessoas com diabetes tipo 2 tratadas durante um ano. Perda súbita de visão pede exame oftalmológico [7].
  • Gravidez. As bulas não recomendam o uso na gravidez, recomendam método contraceptivo durante o tratamento e pedem a suspensão antes de uma gravidez planejada, com pelo menos um mês de antecedência no caso da tirzepatida e dois meses no da semaglutida [6, 7].

Esses dados vêm de estudos com diabetes e obesidade; a segurança do uso prolongado no lipedema ainda não foi estudada [3, 12].

Essas canetas fazem perder músculo?

Parte do peso perdido com essas medicações não é gordura. Nos subestudos com densitometria (DEXA) que embasaram as bulas, a redução foi maior na massa de gordura do que na massa magra [6, 7]. Uma revisão de 2024 mostra que a proporção varia muito entre os estudos: em alguns, a massa magra respondeu por 40% a 60% do peso perdido; em outros, por cerca de 15% ou menos [15].

Os autores lembram que massa magra não é só músculo (inclui órgãos, ossos e água) e que a ressonância sugere adaptação do músculo proporcional ao peso perdido, mas apontam idade mais avançada e doença mais grave como situações de atenção ao risco de sarcopenia, a perda de massa e de força muscular [15].

No lipedema, esse cuidado pesa. A diretriz alemã pede proteína suficiente em qualquer perda de peso, para que a redução venha da gordura e não do músculo, e coloca mobilidade e função entre os objetivos do tratamento [14]. O que as pesquisas mostram sobre dieta para lipedema está em outro texto do blog.

O que acontece quando a medicação é interrompida?

Em quem tem obesidade, o peso tende a voltar. Um ano depois de parar a semaglutida e o programa de estilo de vida, os participantes de um estudo recuperaram cerca de dois terços do peso perdido, e a maioria das melhoras metabólicas voltou para perto do ponto de partida [16]. Num ensaio com tirzepatida, quem trocou a medicação por placebo recuperou boa parte do peso, enquanto quem continuou manteve a perda [17].

No lipedema, não se sabe o que acontece com a dor e o inchaço depois de parar. Na pesquisa on-line, poucas participantes (10,6%) tinham usado a medicação por mais de dois anos, e os autores dizem que isso impede avaliar se a melhora relatada se mantém [3].

O que se sabe e o que ainda não se sabe?

Tema O que se sabe O que ainda não se sabe
Aprovação Aprovadas para diabetes tipo 2 e controle de peso; nenhum remédio aprovado para lipedema Se algum dia terão indicação para lipedema
Sintomas Usuárias relatam menos dor e inchaço numa pesquisa on-line Se a melhora vem do remédio, da perda de peso ou de outros fatores
Tecido do lipedema Cinco casos com menor espessura da gordura no ultrassom Se o tecido do lipedema diminui, medido em estudo controlado
Peso e pernas Com obesidade junto, perder peso pode reduzir o volume das pernas Quais mulheres com lipedema se beneficiariam e quais não
Segurança Efeitos adversos conhecidos pelas bulas, em diabetes e obesidade Segurança do uso prolongado em mulheres com lipedema
Interrupção Na obesidade, boa parte do peso volta ao parar O que acontece com os sintomas do lipedema depois
Pesquisa Nenhum ensaio registrado testa essas canetas no lipedema (19/09/2026) Quando haverá um ensaio randomizado

Fontes da tabela: [1, 2, 3, 4, 6, 7, 9, 13, 14, 16, 17]

Por que a decisão precisa ser tomada com um médico que acompanhe você?

Porque são medicações com contraindicações, interações e efeitos adversos, e porque o peso tende a voltar quando elas são interrompidas [6, 7, 16]. Quem prescreve precisa conhecer a sua história (pancreatite, vesícula, diabetes, outros remédios, planos de gravidez ou de cirurgia), combinar o que será medido e acompanhar você ao longo do tempo.

Perguntas para levar à consulta:

  1. Eu tenho indicação de bula para essa medicação, ou seria uso fora da bula?
  2. O que se espera para o meu lipedema, e como vamos medir (dor, volume, função)?
  3. Quais riscos pesam no meu caso?
  4. Como proteger a massa muscular durante o tratamento?
  5. Por quanto tempo, e o que acontece se eu parar?
  6. O que continua igual no cuidado do lipedema?

Nas revisões, a caneta aparece no máximo como complemento [11]. Compressão, movimento, atenção ao peso e à saúde emocional seguem no centro das diretrizes [8, 14], e o que a ciência sustenta hoje no tratamento do lipedema está reunido em outro texto do blog. Desconfie de quem apresenta a caneta como tratamento comprovado do lipedema e procure avaliação de um profissional de saúde que conheça a condição.

Perguntas frequentes

Quem tem lipedema pode usar tirzepatida ou semaglutida?

A resposta é individual e cabe ao médico que acompanha você. As indicações aprovadas pela Anvisa são diabetes tipo 2 e controle de peso em adultos com obesidade, ou com sobrepeso e doença relacionada ao peso [1, 2]. O lipedema, sozinho, não está entre elas, e um efeito próprio sobre ele não foi demonstrado [10].

A caneta substitui a meia de compressão, o exercício ou a cirurgia?

Não existe estudo que tenha comparado essas canetas com os tratamentos do lipedema. As diretrizes alemã e americana não citam essas medicações e mantêm a compressão, a atividade física e o cuidado com o peso como base do cuidado [8, 14]. Nas revisões que discutem as canetas, elas aparecem, no máximo, como possível complemento [11].

Por que tanta gente fala de caneta para lipedema nas redes?

Porque sobrepeso e obesidade são comuns em quem tem lipedema e porque relatos pessoais circulam rápido [14]. Na maior pesquisa feita até agora, a maioria usava a medicação para controlar o peso, e cerca de uma em cada cinco usava principalmente pelos sintomas do lipedema [3]. Relato pessoal ajuda a formular perguntas, mas não substitui estudo controlado.

Quem usa a caneta e vai fazer uma cirurgia precisa avisar a equipe?

Sim. As bulas registram casos de aspiração pulmonar em pessoas que usavam medicações dessa classe e passaram por anestesia geral ou sedação profunda, porque o estômago esvazia mais devagar [6, 7]. A equipe de cirurgia e de anestesia precisa saber do uso para avaliar esse risco com antecedência.

Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mounjaro (tirzepatida): nova indicação. Novos medicamentos e indicações. Publicado em 09/06/2025. www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicam… (abre em nova aba)
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Wegovy (semaglutida). Novos medicamentos e indicações. Publicação no Diário Oficial da União em 02/01/2023. www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicam… (abre em nova aba)
  3. Srinivasan A, Kartt J, Daftuar F, Harmacek LD, Samouhos E, Galia S, Heil S, Clark E, Mascio C, Cochrane JC. GLP-1 and GLP-1/GIP receptor agonist medication use and self-reported outcomes in individuals with lipedema: results from a large online survey. Obes Pillars. 2026;19:100316. doi:10.1016/j.obpill.2026.100316. PMID 42656629. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13507742/ (abre em nova aba)
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  5. Bicca J, Murta I. SAT-685 Low-dose tirzepatide for the treatment of patient with lipedema: a case report. J Endocr Soc. 2025;9(Suppl 1):bvaf149.119. doi:10.1210/jendso/bvaf149.119. Resumo do congresso ENDO 2025. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12545275/ (abre em nova aba)
  6. European Medicines Agency. Mounjaro (tirzepatida): Resumo das Características do Medicamento, Anexo I da informação do produto (versão em português). EPAR. Versão consultada em 19/09/2026. www.ema.europa.eu/pt/documents/product-information/mounjaro… (abre em nova aba)
  7. European Medicines Agency. Wegovy (semaglutido): Resumo das Características do Medicamento, Anexo I da informação do produto (versão em português). EPAR. Versão consultada em 19/09/2026. www.ema.europa.eu/pt/documents/product-information/wegovy-e… (abre em nova aba)
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  10. Scherkamp D, Wachenfeld-Teschner V, Rabe L, Dos Santos Adrego F, Freund G, Kroh A, Schenk A, Beier JP, Boos AM. Lipedema and obesity: biological interactions, diagnostic challenges, and principles of interdisciplinary management, a narrative review. Adipocyte. 2026;15(1):2719267. doi:10.1080/21623945.2026.2719267. PMID 42625406. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13502036/ (abre em nova aba)
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